Indicação de obras

Direito direito nos jornais - as palavras que aproximam e separam jornalistas de advogados - Ana Zimmerman



Tenho a convicção de que o jornalismo anuncia um mundo negativo, a publicidade um mundo maravilhoso e o direito um mundo de dúvidas. A obra editada pela Juruá, já na segunda edição, é um instrumento valioso para mediar o embate entre a linguagem excessivamente rebuscada do direito e demasiadamente simplificada do jornalismo. Ana Zimmerman reunindo a sua dupla formação em jornalismo e direito aliada experiência como repórter nacional da Rede Globo/Rede Paranaense de Comunicação conseguiu, de forma sutil, agradar, tanto aos jornalistas que poderão incrementar a informação com a mesma simplicidade, mas com precisão, quanto aos bacharéis em direito que poderão simplificar a linguagem para melhor informar ao público. Na área eleitoral - como nos outros ramos do direito - também são comuns as confusões terminológicas por parte de jornalistas que cobrem as eleições, principalmente quando envolve a divulgação de julgamentos polêmicos de cassação de registro de candidatos e de diplomas dos eleitos e a culpa pode ser dividida entre o jornalista que não entendeu a informação e o bacharel que não soube explicar adequadamente os fundamentos do julgado. Para sanear esta dificuldade, a obra seria um livro de cabeceira tanto para os jornalistas quanto aos bacharéis de direito responsáveis pelo contato com a imprensa. Isto porque, nas palavras de Ana Zimmerman, "o jornalista guia o seu leitor, seu telespectador, ouvinte ou leitor, por este caminho, mostrando o entendimento do fato e a tradução do juridiquês. Não deve repetir uma palavra que nem ele sabe explicar. Quando o faz, sonega a informação daquele que é seu cliente, ou mostra que não a tem. Precisa agir como um advogado do leitor, e daqueles advogados que entendem o bom português, a língua que se fala nas ruas, não, nos tribunais".